Izabella Pena
Valsa só. Dança sem par, sem música, sem vento nos cabelos, sem belo vestido a rodar e voar em meio ao vento sublimando o seu coração.
Triste destino o da dançarina sem par. Triste fim daquela pobre garota.
Sabe-se lá se o mundo respirava mais ou menos com os seus sentimentos sublimados por aí. Sabe-se lá o que sentiria o mundo sem sua falta. Assim como o grão de areia entre outros 6 bilhões, lá está ela! Sozinha a tentar! A tentar incorporar o que lhe ditam, o que lhe traduzem, o que lhe lecionam...
Impossível, ela diz. Impossível entender tantas línguas, tantas cabeças, tantas imagens, tantas medidas. Impossível juntar pontos opostos em um. Imposível determinar a forma e o volume de cada um dos grãos de areia. Uma pessoa só não é capaz de tanto.
Melhor voltar a sua insignificante existência, na qual só precisa dançar, flutuar e navegar em meio aos seus muitos, pensou. Vagos e intimos olhares. Não precisa de nenhum outro ensinamento.
Nesse meio o qual flutuam os ideais de uns e evaporam os ideais de muitos, por quê diabos ela, dançarina solitária, nao pode simplesmente ser ela mesma? Ter suas idéias e fazer o que tanto deseja fazer?
Por que não ter filhos agora? Por que não fazer o que lhe dá prazer? Por que insistem em fazê-la engolir e respirar o que todos respiram? Por que não deixá-la desenhar e colorir seus passos sem circular uma linha de limite a eles?
Por que dança sozinha a menina a tentar entrar no tempo o qual impróprio é dançar assim?
1 comentários:
Oi isabella! A iniciar, nao tenho tempo para ler todas as suas postagens, mas creio que esta reflete as demais....Gostei muito...sinto o que senti..creio ter sido sobre mim, em partes, tal texto...
Um grande abraço, Gustavo
( Elite- campinas)
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